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Quem somos nós para lá do medo?

“E se usarmos os olhos do mundo como se fossem os nossos olhos, não há nada que não possamos ver. Quem é sábio ajusta-se naturalmente ao mundo e é por isso que o vê como ele realmente é, sem que a sua visão seja obscurecida pelo que decorre das suas análises mentais”. Tao Te King – Lao Tse

Um pássaro quando vê o gato, pára de cantar. 

O avô pássaro e o seu neto estavam tranquilamente a construir um novo ninho, uma nova e importante etapa para Mico, o corajoso e curioso jovem pássaro. 

Sem razão aparente o neto pára e deixa de cantar. Admirado, o avô questiona:

– O que aconteceu, porque paraste?

– Vi um gato lá em baixo?

O avô olha para baixo… olha para o neto e faz uns minutos de silêncio… O neto continua:

– Sempre me disseram que gatos comem pássaros e neste momento tenho tanto medo que paralisei. 

Com um ar sereno, sentado ao lado dele, o avô curioso questiona: 

– Como é o gato, é de verdade? O que pensarias agora se te dissesse que esse gato que estás a ver, aparece por aqui várias vezes e adora brincar com passarinhos?

Na presença do gato, Mico podia agir de várias formas, mas ele adota a que se baseia no seu mapa do mundo.

Mas, a sua perceção sobre a realidade mudou quando foram colocadas estas questões. 

Tradições, religião, aprendizagens, resultados e experiências passadas fazem-nos acreditar que há verdades absolutas… e podem haver outras…

Por outro lado, o que fazemos nós perante o medo?

Quem somos nós para lá do medo que nos limita?

Será útil forçar sempre a ação perante o medo? Ou resignificá-lo…?

O jovem pássaro, mesmo perante o medo poderia obrigar-se a cantar.

Poderia estar lá um pai austero que o obrigasse a cantar… 

No entanto, acredito que estas abordagem não teria efeitos a longo prazo porque assim que a pressão desaparecesse o jovem pássaro deixaria de cantar de novo. 

Quando as pessoas se comportam sob pressão ou de uma forma que não está de acordo com a sua realidade (ou padrão mental), a longo prazo sentem-se desalinhadas e desistem. Impor, gerar mais medo e forçar não é um comportamento sustentável. Há uma solução mais duradoura… mudar crenças.

Por vezes, para que consigamos avançar só temos de ser flexíveis em relação à realidade e ao significado que lhe estamos a dar. 

Por vezes, o que temos como certo para nós, não tem de o ser. 

Talvez seja bom, numa situação que nos produz medo, explorar as realidades possíveis. 

Já tiveram momentos em que julgaram segundo a vossa realidade e não sobre todas as outras possíveis?

Que medos, raivas, angústias, incertezas existem agora…? Podem ser ultrapassadas se pensarmos na realidade de modo diferente?

Fica o convite à vossa criatividade, 

Até breve!… Bárbara